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             "Necessidade... Necessidade de compreensão, afeto.. Necessidade de ter alguém por perto... Pode até ter rimado... Mas minha dor nem sempre é poética... É uma dor tão sofrida... Um sentimento tão forte que até o mais depressivo se levantaria, só para me acudir... Quem precisa de amor, de carinho... De afeto? Eu preciso... Eu preciso do amor de um desconhecido... Preciso de carinho... Mesmo que seja um carinho feito a faca.... Preciso de afeto, vindo do mais brutal ser humano... Entende a minha necessidade?" Até aquele dia, eu senti necessidade de tudo... Mas como tudo tem o seu fim... Decidi por um fim na minha tosca necessidade... Decidi fugir dela de todas as maneiras... Porém todas falharam... Com exceção de uma... A morte... Recorri a ela em uma atitude de desespero... Ah... Que dia glorioso... Foi tão incrível o modo como morri... Morri coberta pela água dos meus sentimentos... Morri afogada com aqueles mesmos sentimentos que só me transformaram em um monstro sem um coração de pedra... Sim... Sem um coração de pedra... Fui um monstro de carne e osso, um monstro que engoliu suas mágoas, um monstro que tristemente passou até praticamente o final da sua vida se lamentando por não ter tomado a decisão certa... Me arrependi de ter vivido, ou melhor... Tentando viver... Tentei viver como alguém feliz, porém meus sorrisos eram falsos, tentei viver uma vida amando... E o que consegui foi um acervo de traições e amores não correspondidos... Tentei viver uma vida de bondade e o que recebi depois de estender a mão para aqueles que precisavam de ajuda, eles me puxando para o lugar onde estavam e me largando lá sozinha, sem ninguém... Nua, sem esperanças de um amanhã, me deixando com a incerteza de ser ou não ser encontrada... Tentei viver uma vida de coragem... E essa foi a que mais fracassou... Tomei decisões que ninguém normal tentaria tomar... Abri mão de pessoas, de coisas, isso porque sempre soube que sou um monstro de carne e osso... Um coração de pedra, era tudo o que eu queria... Era tudo o que eu almejava... Um coração com o qual não fosse tão fácil mentir para mim, um coração que não me transformasse em um ser tão ingênuo e sem habilidades nenhumas de defesa... 
              O dia da minha morte... Ah que dia lindo... Um dia tão espetacular... Enquanto estava eu deitada em um caixão com flores pateticamente adoráveis murchando na minha mão, olhava fixamente para aqueles que me esbofetearam, que me cuspiram... Que me deixaram... As lágrimas da maioria me comoveram por instantes, porém percebi que lágrimas de remorso não são como as de arrependimento... Depois do meu velório pairou um clima de angústia... Porém essa angústia foi cronometrada... Passaram-se apenas poucos dias e rapidamente esqueceram da minha partida, esqueceram do meu nome, esqueceram de quem eu fui, do que eu fiz, esqueceram, apagaram... Destruíram todos os vestirgios que havia de mim... 
            O dia da minha morte, foi tão fantástico... Tão tolo... Tão... Tão... Tão sem palavras... ah... O dia da minha morte... Foi um dia emocionante... Descobri então qual o valor de um monstro de carne e osso... E percebi que o valor do tal monstro correspondia a 2 copos de cachaça... 3 drinks... e 17 lágrimas... Ah... O dia da minha morte... Lembro-me como se fosse ontem... Foi um dia 22, de um mês 11... O ano... Um segredo... Que daqui a algum tempo será revelado.   

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