Olho pra dentro
e vejo que as nuvens se juntaram num abraço decidido,
como irmãs carentes de companhia.
A parede nebulosa atravessa o céu
de uma ponta a outra
deixando lá atrás, isolado,
um robusto sol,
que, no passado, me aquecia amigavelmente.
Sua luz eram imagens simpáticas,
sorrisos chamejantes de alegria,
entre salientes bochechas em brasa.
Eram olhares gentis, aconchegantes como fogueiras
no tempo frio.
Eram brincadeiras loucas, capazes de acender
a diversão por incontáveis horas.
E junto havia uma voz
cheia de palavras engraçadas e gostosas.
Agora as nuvens roubaram o lugar do sol,
eclipsando qualquer raiozinho de luz.
Nuvens escuras e feias,
que endureceram as feições do céu.
Elas desenham formas pessimistas,
perspectivas sombrias, dias incômodos.
Tão unidas e tão firmes, que me enchem
de dúvidas sobre aquelas alegrias de antes.
Já não sei se eram tão boas,
Esqueci porque eram especiais.
E cada segundo de escuridão
leva à morte aquilo que já foi luminoso e duradouro.
Eis o Importante em seu caminho sem volta
rumo ao Insignificante.
A. Nunes *-*