No momento o que quero é entender o porquê de tudo! O porquê de atitudes que machucam, o porquê de acontecimentos tristes... Não sei o que acontece, se estou sensível, se estou maguada, se estou depressiva ou algo relativo. A única coisa que tenho certeza é que perdi minhas forças, não sei ao certo o porquê disso, mas olho pro céu e não vejo nada além de um lençol azul com manchinhas brancas, olho pro chão e não vejo nada além de barro e insetos mortos.

             Necessito de ajuda! A realidade é essa, sempre achei que nunca precisaria do conforto das pessoas e de certa forma eu estive certa, mas não completamente. No momento o que quero é chorar e chorar, é ser abraçada, pode ser por um estranho, por um psicopata, por um alguém que nem conheço, desde que me sinta confortada com o abraço. No momento quero desabar em lágrimas, sentir o afago de mãos nos meus cabelos, debruçar meu rosto no ombro de um ser que pode me dar a solução de todos os problemas. Não sei ao certo o que se passa, só sei que não sei nada! Quero sorrir, não sorrir só por mostrar os dentes como faço, mas quero ter o sorriso que perdi com meus nove anos. Eu quero, necessito disso agora, não quero ouvir palavrar doces, nem frases copiadas da internet, não necessito disso, a única coisa que quero agora, no momento é ser abraçada. 
               No momento o que mais quero, é dormir e nunca mais acordar, não é algo ruim, pelo menos para mim não, não me passa na cabeça o ato do suicídio, mas o que passa é um sentimento tão ruim, que me fere tanto, eu não consigo abrir os lábios e gritar para o mundo da minha necessidade, quero que ele a note, mas parece que ninguém olha para o que sinto. Dor sempre foi um desafio e sempre consegui superá-la, mas sinto que desta vez não irei conseguir, me sinto fraca, inútil, incapacitada, não tem nada haver com baixo estima, tem haver com uma carência que não é suprima desde os nove anos. Estou quase saindo pelos quatro cantos do mundo, berrando o quanto necessito de um ombro amigo. Agora, o que quero é fechar os olhos, respirar fundo, voltar à abri-los e ver que tudo não passou de uma tempestade num copo de água. Só que faço isso desde meus nove anos e essa tempestade não passa, nunca passou!

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